Quando evoluímos pelo nosso próprio esforço agradecemos por tudo, inclusive por quem nos fez mal

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Quando evoluímos pelo nosso próprio esforço agradecemos por tudo, inclusive por quem nos fez mal

Esses dias, vi um post em uma rede social, muito interessante.

Era uma tirinha de um velho conversando com a morte que vinha buscá-lo. Eu não me lembro de detalhes muito específicos, mas lembro de uma parte onde ela perguntava para o homem se ele estava com medo.

— Você está com medo?

— Medo de quê?

— Medo de mim.

— Medo de morrer? Não, não mesmo.

— Que intrigante, a maior parte de vocês, fica apavorada quando me vê.

— A morte é inevitável, é uma força da natureza, todo mundo morre. Já a vida é uma escolha, cada um decide como vai viver, mas nem todo mundo vive.

Eu fiz minhas escolhas e vivi. Quando você vive, a morte não existe, quando você morre, a vida não existe. Eu estou bem.

Foi algo diferente para dizer à morte né? Já parou para pensar nisso?

Nós temos medo da morte porque ela é o fim da estrada. Como qualquer final de etapa, a morte sempre coloca em xeque não o que vem depois, mas o que aconteceu antes.

Em uma outra novela eu me lembro de uma personagem que já era idosa e trabalhava com limpeza pesada. Ela tinha um filho que, por mais que ela tivesse se esforçado para educá-lo bem, era corrupto e chantageador.

No fim da novela, ela adoentada e de cama, conversa com seu filho antes de morrer. Ele pede perdão e diz que nada do que fez era culpa dela.

Ela responde dizendo que não era mesmo, ele tinha feito as suas escolhas. Quando ele pergunta se ela está com medo da morte ela responde:

— Eu tive uma boa vida, eu estou bem.

Então não é porque é o fim, mas é que, no final, pensamos se realmente o que passou valeu a pena. Não existe morte boa, existe vida boa.

E o que é uma vida boa?

Uma vida boa não é aquela desprovida de dificuldades. Não é aquela onde as condições são ideais, os relacionamentos são ótimos, os recursos abundantes e tudo segue o plano normal.

Uma vida boa é aquela onde, as decisões são feitas baseadas no que é realmente importantepara si. Em um mundo tão relativo e cheio de verdades diferentes, e às vezes conflitantes, uma vida boa é aquela cujas decisões são baseadas no que realmente tem importância para nós.

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Quem vive uma boa vida, não tem medo da morte.

E acho que aí vem a grande questão. Como viver uma boa vida?

Existem várias ideias que podem te ajudar a viver uma boa vida, falamos disso aqui e aqui.

Entre tantas possibilidades uma coisa é certa: A Gratidão é a chave para uma boa vida.

Gratidão é um sentimento que bem-estar em relação ao que existe no presente, o que aconteceu no passado e as expectativas do futuro.

É um estado de espírito onde sentimos um prazer superior, uma alegria sublime, uma felicidade perene em relação a tudo como está.

Parece fácil né, mas infelizmente é bem mais difícil do que parece.

Como sentir gratidão frente a tantas dificuldades que enfrentamos na vida?

Como amar incondicionalmente se dentro da nossa própria família — o suposto exemplo de amor incondicional — muitas vezes não temos amor e outras vezes, recebemos até o pior.

Como sentir motivação todos os dias em fazer algo se nem nos sentimos realizados em nosso trabalho ou no que fazemos?

Como ter metas financeiras ousadas se a maior parte do planeta vive em condições abaixo do nível da miséria?

Como se alimentar bem quando alimentos bons são tão caros e quase tudo do que é produzido em massa causa danos consideráveis ao organismo?

Como se sentir grato por ter saúde quando existem tantas doenças do corpo e da mente que flagelam a humanidade há séculos?

Realmente, essas são boas perguntas. Mas talvez uma pergunta melhor fosse outra.

O que toda essa dificuldade me traz de evolução e progresso? Como as dificuldades têm me ajudado a crescer?

O amor é liberdade, mas não somos bons com liberdade. Por nossa própria precariedade emocional precisamos de condições, termos e toda forma de amarras para nos sentirmos seguros nos relacionamentos.

Não ser amado incondicionalmente muitas vezes nos releva como exigimos do outro um tipo de amor que quase nunca estamos dispostos a dar. É um exercício e uma lição.

A motivação é um desmembramento do desejo. Quando desejamos algo, automaticamente temos a motivação para desprender a energia necessária para realizar o desejo.

Às vezes, por comodidade, falta de força ou obediência mórbida, nos submetemos a trabalhos, agendas e atividades sem graça que destroem nossa vontade de progredir profissionalmente.

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A frustração e falta de motivação deve ser um alerta para despertar em nós a vontade de empreender forças em atividades que façam sentido para nós, não só para os outros.

Alimentos saudáveis são difíceis. A alimentação de um povo está muito ligada à sua história produtiva e de seus hábitos alimentares. O mundo está globalizado e seu corpo é seu templo.

Você tem a capacidade de procurar, cultivar, comprar e utilizar alimentos que façam bem ao seu corpo ao invés de simplesmente consumir o que a cultura diz que deve ser consumido.

Boas coisas são caras, mas há muito mais por trás disso do que parece. Existem coisas caras e boas pela qualidade, mas também todo um sistema que incentiva o consumo como forma de ostentação.

É possível ter uma vida simples com pouco, e também com muito. Precisamos ter cuidado com o consumo para não sermos consumidos pelo sistema “Buy and show” (compra e mostra) que vivemos.

Eu já vi mais de um caso de pessoas que levavam vidas descontroladas e desreguladas que, depois de um susto com sua saúde, tornaram-se pessoas mais felizes e saudáveis.

Salvo algumas exceções, as doenças não aparecem do nada, costumam ser resultado de hábitos infelizes que causam pequenos danos que se acumulam, gerando os danos severos e doenças.

Ser grato por enfrentar dificuldades é absolutamente impossível. Não se pode gostar da dor, não se pode agradecer o carrasco, não se pode sorrir para quem te machuca.

Só que existe todo um crescimento evolutivo dificílimo que enfrentamos quando atravessamos de cabeça erguida, todo tipo de adversidade.

A pessoa que começa a enfrentar seus problemas cresce porque percebe, no meio da tempestade, como ela faz parte do problema. E, infelizmente, só quando estamos imersos nos problemas e encurralados é quando descobrimos nossa maior força.

Você com certeza já ouviu sua sábia avó dizer que não se deve encurralar o gato. Ele vai fugir de você até você encurralar, quando ele perceber que não tem mais para onde fugir, vai partir para o ataque, e vai atacar com tudo.

Nossa maior força surge no meio da adversidade. Mar calmo não fazem bons capitães.

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Sei que isso tudo soa estranho, mas é uma verdade inegável.

Quando paramos de olhar as adversidades e começamos a olhar como somos quando as enfrentamos, ou melhor ainda, quem nos tornamos depois de vencê-las, conseguimos sentir gratidão.

Conseguimos sentir gratidão pela melhor versão de nós que emerge depois que vencemos os problemas. Claro, não é assim tão fácil enquanto estamos no meio da tempestade, mas é possível reconhecer nosso progresso em pequenos passos, mesmo quando a chuva ainda não passou.

É fácil sentir gratidão quando você olha para quem você se tornou. Quando percebe sua habilidade de sorrir depois de ter chorado, de rir depois de a piada ter perdido a graça, de ganhar dinheiro depois de ter perdido e desperdiçado, de reunir-se com novos amigos depois de ter “perdido” velhos amigos, se excitar com um novo amor depois de ter sido traído pelo anterior.

O mundo é vasto e as possibilidades são infinitas. O aperfeiçoamento pessoal é coisa séria e, sinceramente, é para poucos.

Se você é desses poucos afortunados que é capaz de olhar para a adversidade e pensar como isso vai te ajudar a evoluir, você é uma pessoa muito incomum.

Se você é desses que olha para si mesmo como uma versão melhorada de quem você já foi no passado, então você é uma pessoa muito rara.

Se você é desses que enfrenta os desafios de cabeça erguida, mantém seu brilho interno e cresce cada vez que quebra em pedaços, então você é uma lenda. Uma lenda da própria história.

Quando crescemos e evoluímos pelo nosso próprio esforço, sentimos enorme orgulho de quem nos tornamos e, de certa forma, conseguimos agradecer tudo o que aconteceu, inclusive os que nos fizeram mal.

Essa é a maior manifestação de gratidão. Agradecer os eventos da sua vida que te tornaram quem você é, que te ajudaram a aperfeiçoar-se nessa melhor versão que é de si hoje.

Voltando ao nosso amigo velhinho que conversava com a morte. Ele não tem medo da morte, ele aproveitou a vida. Ele viveu e sentiu o progresso na própria pele.

Ele está grato, ele está feliz, ele não tem medo da morte.

Ele é imortal!!!

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