A empatia é a chave-mestra da compaixão, antes de julgar se coloque na situação

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A empatia é a chave-mestra da compaixão, antes de julgar se coloque na situação

Busca ver o outro segundo as suas próprias configurações e sua própria história, deixando de enxergar o mundo a partir das suas experiências e interpretações e passando a ver cada pessoa dentro do seu próprio contexto.

Isso é difícil pra caramba! Olhar para o outro dentro da sua própria história e não segundo as nossas experiências.

Imagine a cena…

No meio da rua uma mãe começa a gritar com o filho porque o mesmo deixou cair um copo de suco que estava bebendo, na calcada. Ela dá um monte de berros, puxa o filho pelo braço e arrasta ele pra longe, claramente irritada.

Qual é a nossa primeira reação como observador?

Pegar o copo de suco que caiu no chão, oferecendo ajuda?

Comentar com algum estranho próximo sobre a atitude, fazendo um julgamento?

Pensar em ligar para a polícia ou conselho tutelar, para denunciar o abuso?

Silenciosamente desejar paz para eles?

Ficar com pena da criança por ter uma mãe descontrolada?

Qual seria a melhor atitude?

Honestamente falando, nenhuma delas né?

A primeira coisa que a maioria, faria, seria ter pena da criança por ter uma mãe tão maluca; e a segunda é repreender a mãe (em pensamento) por gritar com seu filho publicamente a troco de algo tão insignificante como derramar um copo de suco na rua.

Não? Tem certeza? Pois é, foi o que eu pensei.

Isso acontece porque na hora que vemos um ato desse tipo, automaticamente acessamos nossas memórias, experiências e história de vida e automaticamente nos colocamos no lugar da pessoa que agiu, imaginando o que ela fez de errado e como nós agiríamos de forma correta.

Esse é um tipo de julgamento automático que todos cometemos quase que por reflexo.

E qual seria a outra postura? Abandonar a sua própria experiência e tentar traduzir a atitude da mãe a partir da experiência dela.

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Na experiência dela você perceberia que ela agiu por impulso. Teve um dia terrivelmente difícil, pegou a criança mais cedo na escola porque ela brigou com um coleguinha e além de tudo estava com um grande problema em casa.

Também é uma pessoa de temperamento forte e, por sua própria personalidade, faz um enorme esforço para se controlar dia e noite e não estourar com as pessoas, principalmente seus filhos.

Naquele momento, mesmo sendo um ato pequeno, ela acabou explodindo com o pequeno. Alguns passos depois, percebeu sua má conduta e pediu desculpas para seu próprio filho, ajoelhando e conversando com ele, olho no olho.

E agora? Mudou um pouco a percepção do problema?

Penso que sim.

Quando você olha por esse prisma percebe que a atitude da mãe não se limita àquele pequeno episódio que você presenciou, mas em toda uma história e um contexto complexo que não começa naquele episódio e não termina ali, também.

Sabe, a vida não é uma série com capítulos bem escritos, feita para contar uma história bonita dentro de uma estrutura divertida. A vida é uma coisa doida, selvagem, um cavalo sem rédea que vai de um lado para o outro carregando a gente que tenta, da melhor forma possível, dar para ele alguma direção.

A mãe sabe que agiu mal, sabe que não é uma conduta adequada. Além disso, ela sabe de várias coisas da sua experiência pessoal que fazem com que aquele momento, aquele pequeno suco que caiu no chão, ganhe uma proporção muito maior do que deveria ter.

Entretanto, para perceber isso, para enxergar mais do que apenas uma mãe doida gritando injustamente com o seu filho por causa de um suco que caiu, é preciso sair da sua vida e entrar na dela.

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Entender de onde ela vem, o que ela fez, que tipo de experiências viveu, que problemas está enfrentando agora, quais são seus sonhos, desejos, frustrações. É preciso enxergá-la além do que se vê.

Isso sim é difícil de fazer.

Nosso julgamento é automático e imediato, mas não precisa ser nossa opinião final.

Vamos voltar à cena. O que você faria agora?

Não tem como saber nada da mãe apenas olhando, mas o que é possível de ser feito?

Pensar que ela é um bom ser humano, como você.

Pensar que ela está fazendo o seu melhor com os recursos que tem no momento, como você.

Pensar que o gesto pode ter sido exagerado e que ela pode repensar o que fez e fazer melhor da próxima vez, como você.

Pensar que as crianças não precisam de mães e pais perfeitos, mas de pais que sejam pessoas de verdade e eduquem com amor, como você.

Pensar que talvez ela esteja tendo um dia muito, mas muito difícil mesmo, como você.

Pensar que ela talvez precise de ajuda, como você.

Pensar que já tem gente demais julgando negativamente o comportamento dos outros sem conhecer nada das pessoas, exatamente como você fez.

Isso é chamado de Empatia. A habilidade de olhar para as pessoas a partir das suas próprias experiências e não das suas, como observador.

A empatia é a chave-mestra da compaixão.

Compaixão é sentir-se compadecido frente a dor do outro.

E o julgamento?

O julgamento é quando formamos uma opinião (geralmente negativa) sobre a atitude de alguém. Pensamos que algo é abominável, ruim, infeliz.

Mas sabia que o julgamento e a compaixão partem do mesmo princípio? Sim, a atitude de uma outra pessoa (e às vezes a nossa também, mas isso fica para outro artigo).

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Quando presenciamos algum tipo de atitude “repreensível” sentimos compaixão ou julgamento. A diferença é qual a nossa percepção da natureza da pessoa.

Se pensarmos que ela é uma pessoa boa, se partimos do pressuposto de que ela é uma pessoa que está fazendo o seu melhor, entendemos que mesmo que a atitude não tenha sido adequada, a pessoa merece compaixão.

Se pensarmos que ela é uma pessoa ruim, se partirmos do pressuposto de que é uma pessoa que simplesmente age de forma ruim porque é sua natureza agir assim, entendemos que a atitude é mais do mesmo, a pessoa merece nosso julgamento (o mais severo possível).

Isso nos leva a pensar que a atitude repreensível não é da mãe que gritou com o filho e sim de quem está de fora, observando, criticando e julgando sem saber nada do contexto.

Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Uma mãe grita com seu filho no meio da rua porque este deixou cair um suco no chão e você, que observa à distância, é a pessoa que a julga sem nenhum motivo ao invés de oferecer ajuda.

Que tal ser a pessoa melhor, que tal ser uma pessoa melhor?

Sempre que se pegar julgando alguém sem motivo algum, tente olhar para a situação sob um prisma mais amplo.

Entenda o que está acontecendo além daquele episódio.

Procure saber que tipo de coisas está acontecendo com os envolvidos naquela situação. E depois de pensar tudo isso volte a você e faça a pergunta mais importante:

O que eu posso fazer para ajudar?

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