A autoaceitação é uma ferramenta importantíssima para a saúde mental e qualidade de vida

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A autoaceitação é uma ferramenta importantíssima para a saúde mental e qualidade de vida

Vou te fazer uma pergunta e quero que você responda a primeira definição que vem à sua cabeça. Pronto?

Quem é você?

(…)

Para formular uma resposta mais completa, faça o seguinte: fique em frente a um espelho e se observe, preste atenção na sua imagem, identifique cada detalhe.

O que você vê? Ou melhor, quem você vê?

Agora, para ter ainda mais coerência, feche os seus olhos, respire profundamente, e deixe as suas emoções falarem, deixe que elas ajudem a te descrever.

Através desta “simples” pergunta sobre quem é você, a qual conclusão você chegou? Foi fácil, rápido, tudo fluiu tranquilamente? Ou foi difícil, estranho, angustiante?

Saber de si e ter autoridade para falar sobre, é um exercício contínuo, que diz respeito à sua vida e tudo o que a envolve.

A resposta não se resume à foto que você publicou no seu perfil nas redes sociais, à sua profissão ou a quantos filhos você tem. Essa resposta tem a ver com todas essas questões e outras mais.

Por isso que se olhar, se definir, é algo extremamente complexo, pois é um mergulho na sua história de vida e nos caminhos que fizeram você chegar até aqui.

Saber de si, é se reconhecer, é refletir sobre os altos e baixos, se fortalecer com os aprendizados e aceitar-se.

A autoaceitação é uma ferramenta importantíssima para a sua saúde mental e qualidade de vida. Mas, você sabe o que significa esse termo?

A autoaceitação é o seu olhar para si e o reconhecimento de ser quem se é. É saber identificar o seu lado bom e o seu lado ruim. As suas potencialidades e limites. Se responsabilizar pelas suas escolhas e tomadas de decisões.

É você mergulhar de cabeça na sua essência, de olhos bem abertos, observando cada flor e cada espinho. Entendendo a dor e a delícia de ser quem se é.

Mas para compreender esse percurso individual, eu indico que você coloque um tênis confortável, vista roupas leves, encha uma garrafa de água para uma boa hidratação, leve um binóculo para enxergar melhor alguns detalhes e que seu coração, esteja aberto para reviver sensações e prepare-se para descobrir outras tantas.

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Pronto para caminhar?

Durante toda a sua vida, você tem referências múltiplas: da sua família nuclear, dos seus parentes, da escola, dos amigos, dos lugares, dos relacionamentos e afins. E todas essas experiências vão construindo a sua personalidade e a maneira de lidar com as circunstâncias.

E é justamente o seu jeito de vivenciar cada coisa que faz de você um ser único.

Imagine que você tem um irmão gêmeo: possuem o mesmo material genético, são filhos da mesma mãe e do mesmo pai, tiveram um nascimento relativamente tranquilo, cresceram na mesma casa, com as mesmas pessoas, tiveram praticamente as mesmas experiências ao longo da primeira infância e, vocês se percebem bem diferentes na maneira de se comportar, nas ideias, nas escolhas.

Assim, pessoas que têm o mesmo estímulo, não necessariamente vão emitir a mesma resposta, pois cada pessoa absorve do seu jeito e a sua maneira.

Essa individualidade vai sendo construída ao longo da sua história e isso diz muito sobre você.

Reflita sobre alguns pontos:

FAMÍLIA: você sabe a história da sua gravidez? Teve convivência com sua mãe e seu pai? Eles eram casados ou separados? Você tem irmãos?

CASA: você morou em uma casa? Ou em várias? Sua casa tinha harmonia, era um lar?

CULTURA: quais são as suas referências culturais? Do seu país? Da sua região? Da sua religião?

ESCOLA: como era a sua escola ou as suas escolas? Aprendia com facilidade ou tinha alguma dificuldade? Já sofreu bullying?

SAÚDE: você é saudável? Tem alguma doença? Já teve ou conviveu com pessoas que precisavam de cuidados?

RELACIONAMENTO: você se relaciona bem com as pessoas? Família? Amigos? Companheiro(a)? Filhos? Colegas de trabalho?

SONHOS: você é do tipo de pessoa que sonha e tenta realizar, ou acha que sonhos não são para você?

Conseguiu fazer essa viagem na sua linha da vida? Conseguiu visitar essas pessoas, esses lugares, essas sensações?

Foi confortante? Foi cansativo? Bebeu água? Usou o binóculo para enxergar melhor o que talvez estivesse escondido?

Perceba que entender a sua história, a sua vida, é praticar o autoconhecimento, é aprofundar na autoaceitação.

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Se você não aceita as coisas que te acontecem e de algum modo tenta rejeitá-las, essa partícula de rejeição fica impregnada dentro de você, e ao longo do seu caminho ela pode ir se juntando com outras e outras e cristalizar, pesar, te cegar, te adoecer.

A autoaceitação não é um processo passivo, quieto, omisso. É uma dinâmica de clareza, de lucidez e reconstrução. Por isso aí a grandiosa importância de se perceber, de se olhar, de saber quem se é.

Mas, depois de toda essa reflexão, de entrar em contato com os seus anjos e demônios, o que fazer objetivamente para melhorar esse olhar íntimo, pessoal e intransferível da aceitação própria?

AUTONOMIA: estabeleça uma relação verdadeira consigo. Por vezes, prevalecer a vontade do outro e não a sua, ter dificuldade de dizer NÃO, só te distancia de você mesmo, te faz anular e não te priorizar;

GENEROSIDADE: seja generoso com você. Muitas situações que acontecem na vida, não diz respeito diretamente a você, então, não carregue essa responsabilidade, não se culpe por competências que são de outras pessoas. Saiba o que é seu e o que é do outro;

CONSCIÊNCIA: ter consciência de si, é saber o que te envolve, o que te faz bem ou mal. É saber o que você consegue ou não fazer. Ser consciente é relativizar o que passou, o que poderá ser, para o seu momento presente. É ter consciência do que você pode fazer agora com a questão em que está inserido;

SABEDORIA: essa ferramenta te auxilia a não se machucar e a não machucar o outro. É a ponderação de incorporar uma decisão sobre o que precisa ser feito da melhor maneira cabível;

AUTENTICIDADE: ser quem se é, e para isso é necessário legitimar o que é seu, o que te importa. É se colocar nas situações e entrar em um consenso que seja coerente para as partes envolvidas. É deixar de sempre agradar os outros para ser aceite.

Estas são algumas percepções que podem te auxiliar para você lidar de uma maneira mais saudável consigo mesmo.

Saber de si, é ter coerência. É andar e sentir o chão, seja ele pedregoso ou forrado de grama macia; seja ele escorregadio ou levemente molhado; seja ele áspero ou com a textura de nuvem.

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A autoaceitação vai muito além da imagem do espelho, daquela lá de cima, lembra?

Trata-se da combinação do que se vê e do que se sente. De fatores objetivos dos quais você enxerga, pega, sente o peso e a textura, juntamente com os fatores subjetivos que são os sentimentos, as emoções, as memórias construídas, os sonhos. E ainda existem as situações externas que influenciam diretamente na maneira de ser e de agir.

E a adição do objetivo com o subjetivo, torna essa conta não tão matemática e exata assim. Eis a questão!

Então, essa caminhada pessoal não é algo estático, que ficou lá atrás. Ela é dinâmica, mutável, flexível. Mesmo que às vezes seja importante fazer uma pausa necessária. Mesmo que por ora, precise desconstruir situações que não fazem mais sentido pra você.

Mesmo que seja necessário dizer adeus para pessoas que foram essenciais na sua vida. Tudo é aprendizado e saber dar um novo sentido a situações adversas, só te faz mais saudável.

Você é um ser único, complexo, cheio de temperos e histórias. Somente você sabe o que viveu para ser essa pessoa que é hoje. E saber reconhecer o seu processo e agradecer as pessoas que contribuíram para tanto, é fantástico.

Olhar para si com amor é olhar para todas as pessoas que passaram na sua vida e te ajudaram a ter consciência e a crescer. Mesmo alguns desses encontros trazendo dor e sofrimento, o que conta é o que se faz disso a partir de hoje.

Você é um ser social e precisa ter essa troca com os outros. É confortante ter uma rede de apoio para se sentir acolhido e saber rever alguns comportamentos. As pessoas agem como um termômetro e se você tiver esse olhar só te beneficia como agente transformador.

Acerca de todas estas reflexões, espero que a roupa leve e o tênis tenham ajudado a percorrer essa viagem do autoconhecimento.

Ser quem se é, é libertador.

Descubra-se!

Perdoe-se!

Aceite-se!

Seja quem você é!

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